sábado, 4 de Outubro de 2008

João Soares testemunha no processo 'Lisboagate'

Lisboagate'.
Ex-presidente da Câmara de Lisboa vai ser arrolado como testemunha


João Soares vai ser arrolado como testemunha do Ministério Público no já célebre processo do alegado favorecimento na atribuição de casas da Câmara Municipal de Lisboa. O DN sabe que as autoridades já tentaram notificar o antigo presidente da autarquia na casa deste, mas que não conseguiram, por mais de uma vez. Isto porque cometeram um lapso, ao não respeitarem a obrigatoriedade de submeter o pedido à Assembleia da República, onde João Soares é deputado do PS e goza de imunidade parlamentar.

O DN contactou o presidente da Comissão Parlamentar de Ética, José Matos Correia, que disse ainda não ter recebido a notificação: "Não chegou nada dirigido ao senhor deputado João Soares." Quando chegar, o pedido das autoridades para que o agora deputado seja ouvido tem ainda de passar por um processo interno. Admitindo que João Soares aceite depor, o que deverá fazer por escrito, o pedido do Ministério Público é depois entregue a um deputado-relator do processo e a seguir votado no interior da comissão. Só depois irá a plenário para ser votado pelos restantes deputados. Depois de já terem ouvido Margarida Durão Barroso, mulher do actual presidente da Comissão Europeia, sobre a atribuição de uma casa a uma família carenciada do Campo Grande no tempo de Pedro Santana Lopes, as autoridades viram-se para João Soares. O MP deverá questioná-lo sobre um ex-telefonista da CML cujos pais tiveram direito a uma casa social, em 2004, também no mandato de Santana Lopes. - F. A. L."


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quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

nao ha nada como a nossa casinha--parte 2







Ora bem, onde e que nos iamos?..
Ah pois.
Naquela de euzinho a espera que meu querido senhorio, tao querido fizesse as obras que comecei por lhe pagar.
Pois foi.Nao fez.Pelo menos ate hoje nada.
Mas nao se ficou por ai.Quer dizer, recebeu os tais 200 contos de cara alegre e palavras mansas mas depois fez um enorme silencio.
Que foi quebrado de forma subita e solene por meio de aviso de tribunal que me intimava a pagar rendas e atraso ou entao --fora , rua com ele.
Que e como quem diz , comigo.

Fiquei naquela.Sem perceber uma palavra do que tinha a frente e oh da guarda , pernas para que te quero , corri para escritorio de advogados pedindo ajuda.
Rendas religiosamente pagas , nada em atraso e algum para receber ( a tal massa das obras que o sacana nao havia feito ) sentei-me esperando conselhos.
Que fosse ao banco onde depositara e que pedisse novos recibos.
Que arranjasse fotocopia de recibos mais de recibos de senhorio.
Que mais o IRs e confirmaçao de entidade patronal etc etc etc ; aquilo tudo custou-me pra mais de outra pipa em dinheiro e tempo perdido.

La meti papeis de defesa sentei-me e fiquei de novo a espera.
Ate que um belo dia recebi a alegre noticia de que -- senhorio 0 // euzinho 1.
Que bom que bom(!!) acabara de ganhar o nunca poderia ter perdido.

Entretanto aquela cena toda havia demorado para mais de dois anos e meu solicito
senhorio andara a rondar vizinhos e familia, com queixumes e lagrimas de que -
- "o meu inquilino nao paga as rendas , coitadinho de mim e vejam la isto e mais aquilo "- e e eu ; quando dei por mim , andava nas bocas do povo como se foram um dos piores malandros que jamais pisara aquela terra.

Entao começaram a acontecer coisas estranhas.
Uma noite ouvi um barulho imenso e percebi que vinha do telhado.Chovia a potes e nao consegui lobrigar o que quer que fosse mas ainda fui a tempo de ver duas sombras em cima do dito telhado que se escaparam numa pressa de sapatos e telhas partidas envolvendo-se na noite.
No dia seguinte quando fui ver o que acontecera fiquei de boca aberta.
Em lugar do telhadito que entretanto com o meu proprio esforço e mais dinheiro havia começado a arranjar havia um buraco enorme.

Telhas havia desaparecido e as madeiras de suporte estavam partidads e encharcadas.Em casa chovia a cantaros....






(....segue no proximo numero que isto de recordar tais desventuras so mesmo devagarinho, porque este vosso inquilino tem que dar descanso ao coraçao.que elas ; ( as malfadadas memorias )nao matam mas moem muito.....

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quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

o caso das casinhas aparecidas II

A chefe de gabinete do vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa tem, há cerca de 18 anos, uma casa arrendada pela autarquia a custos controlados, avança o Diário de Notícias. Segundo o jornal, Isabel Soares, antiga presidente da Gebalis e actual membro do staff de Marcos Perestrello, já nem sequer habita a casa. No T1 situado em Telheiras, vive agora o filho, que paga 350 euros mensais de renda.


O DN adianta que durante o mandato de Pedro Santana Lopes, Isabel Soares tentou adquirir a casa, a um preço abaixo do valor de mercado. Entrou com o processo na câmara que aprovou a compra e marcou a data da escritura. Só que o processo acabou por ficar suspenso porque a vereadora Helena Lopes da Costa, que tinha o pelouro da Habitação Social, remeteu o assunto, juntamente com um outro, para o gabinete da presidência.

Contactada pelo DN, Isabel Soares confirmou a situação. «Há 20 anos candidatei-me a uma casa e, há mais ou menos 18, ela foi-me atribuída. Em 2002 ou 2003, já não me lembro, foi indicada a aprovação da compra e já tinha dia para a escritura e, depois, foi tudo suspenso».

«Tinha na altura aquela casa há 16 anos e sempre paguei uma renda, porque não havia de poder comprá-la?», adiantou a responsável.

A chefe de gabinete do braço-direito de António Costa na Câmara de Lisboa justifica ainda que paga «350 euros por um T1» em Telheiras e que o facto de não habitar o imóvel não é relevante: «O meu filho foi crescendo e está lá à luz do que é permitido».

«Não achei normal»

Já Helena Lopes da Costa não considera a situação tão normal. «Apesar de ter competências delegadas, entendi remeter para o presidente da CML por se tratar de uma antiga presidente da Gebalis. Não achei normal, como também não achei normal que o director do departamento de apoio aos órgãos do município, o dr. José Bastos, também estivesse a tentar comprar casa nas mesmas condições. O presidente da CML não aceitou e vetou essas aquisições», explicou.

Mas Isabel Soares não é a única na mira de Helena Lopes da Costa. A actual deputada do PSD garante que Ana Sara Brito, actual vereadora da Habitação e Acção Social, era «uma das pessoas que pedia mais casas, em reuniões da câmara». A actual vereadora de António Costa «era presidente da Junta de Freguesia da Encarnação e muito activa a fazer pedidos».

Habitações sociais geram polémica

Helena Lopes da Costa foi constituída arguida num processo de alegado favorecimento na atribuição de habitações sociais, depois de uma denúncia que deu origem a um processo com contornos ainda por esclarecer. No âmbito do mesmo processo, Miguel Almeida, também deputado do PSD, foi também constituído arguido, tendo já sido levantada a imunidade parlamentar a ambos, durante a semana passada. Tanto a ex-vereadora da CML, como o antigo chefe de gabinete de Santana Lopes, decidiram responder por escrito. Os dois são suspeitos de corrupção e de falsificação de assinatura de funcionário.

No mesmo processo, Pedro Santana Lopes irá também ser constituído arguido, durante a próxima semana. O antigo primeiro-ministro e ex-presidente da Câmara de Lisboa vai ver o seu processo de levantamento da imunidade parlamentar resolvido na quarta-feira e depois disso irá também depor por escrito.


ISTO E QUE E UMA RICA VIDA ;) POIS ATAO NA AVERA DE SERE?

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o caso das casinhas aparecidas

sábado, 27 de Setembro de 2008 | 11:20

Câmara de Lisboa dá 3200 casas por cunha

A Câmara de Lisboa atribuiu 3.200 casas por cunha, segundo a edição deste sábado do Expresso. Em causa estão moradias, palácios, lojas ou apartamentos dados à Câmara Municipal de Lisboa como contrapartida de benefícios atribuídos a cooperativas de habitação.


Segundo o semanário, o esquema existe há mais de 30 anos e contemplou amigos, artistas, jornalistas, familiares, entre outros. O Expresso revela ainda que “tem sido o vereador da Habitação, ou os seus serviços — quando não o próprio presidente da Câmara —, a conceder aquelas habitações de forma directa”.

A média das rendas cobradas é de 35,48 euros, mas desconhece-se a percentagem das que são pagas. Estas casas fazem, segundo o Expresso, parte do chamado Património Disperso e, segundo um estudo da Universidade Lusófona, “a CML não sabia, nem sabe, do que é dona”.

OLHA OLHA MAS QUE MALANDROS

Ora bolas.
Eu aqui as voltas com casas obras e mau senhorios e eles a darem casas uns aos outros.
35 euros de renda??
Livra por esta e que eu nao esperava nao senhor e olhem que e obra vir a gente a saber que ele ainda ha rendas destas.Claro , nao sao para todos olha agora; como se isto agora fosse assim tao facil.
Rendas destas so mesmo para gente especial tipo, da nobreza e assim , nao para gente vulgar que a unica coisa que sabe fazer e trabalhar.
Pois e.
Estou a adorar estas novas tricas e danadinho para saber qual sera o fim disto.
Sera que vamos conhecer os nomes dos senhores e das senhoras que andaram a poupar pipas de massa e a viver na maior ou vai ficar como sempre naquela de um a apanhar e os outros a correr?.....



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nao ha nada como a nossa casinha






Vivo nesta casa vai pra mais de 20 anos.
Quando a aluguei ( a convite do meu senhorio ) estava num tal estado de degradaçao que me custou ate a acreditar que alguem pudesse ter uma casa em tais condiçoes .
Praticamente era uma lixeira.

Ao que parece o meu senhorio havia passado anos a alugar a dita a todo o tipo de pessoas de menos qualidade e desde seringas a sacos de lixo cujo fedor indicava os anos em que por ali andavam, ate restos de roupas apodrecidas pelo tempo, imensas teias de aranha e todos o tipo de bicheza propria de tais sitios , por ali havia de tudo.A renda essa ja era altissima para a epoca.
Eu que ja havia largado a casa onde vivia, e que ja havia pago para mais de 200 contos, nao tive outro remedio senao arregaçar as mangas e limpando a interminavel e inominvel sujeira, tentar o meu melhor para dar outro aapecto a casita.
La consegui.
E depois de por aquilo tudo a brilhar , fiquei a espera das obras de recuperaçao que ja havia pago ao querido proprietario.Consistiam essas obras no arranjo dos telhados portas casa de banho, canalizaçao janelas e escadas porque os degraus estavam a apodrecer devido a infiltraçoes de aguas.
Fiquei a espera e ainda hoje estou a espera , porque o querido do meu senhorio meteu o dinheiro ao bolso e obras viste-as.
Passaram dias e meses e noticias do abençoado nenhumas e nem sequer a sombra do contrato que entretanto havia sido combinado nem sequer os recibos do dinheiro que havia sido pago.
Queixei-me e claro a advogados que me aconselharam a continuar a pagar rendas e esperar para ver.
Assim fiz.Assim continuo a fazer.

Diram voces, mas e pa os senhorios nao sao todos assim, olha que ele ha dos serios!
Pois ha ; mas infelizmente nehum desses me calhou a mim e posso mesmo dizer que no meu caso o que me calhou foi mesmo uma grande encomenda.
Como poderao ler no proximo episodio porque este ainda nem sequer e um capitulo.
E apenas o começo de uma historia que ainda so vai no principio....





( ...para continuar; que esta e uma bela historia, muito apelativa e espero que possa ajudar algumas cabecinhas a pensar....)




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terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Baptista-Bastos --porque e que so batem neste??







Bem
eu como nao gosto nada de bodes expiatorios acho que estar a falar so do Baptista Bastos e ir um bocado longe demais.
Portanto concordo alguns comentarios sobre os que tendo grandes ordenados andaram a receber as casinhas em grande estilo , caladinhos que nem ratos e acho que e de facto preciso ter muita lata para andar a viver em casas palacianas concedidas sabe-se la porque favores.
e prova de algo anda mal e nem percebo porque e que so agora se fala neste assunto.
Se o cheiro ja era mau , tornou-se muito pior.
Porque se silenciaram este assunto durante quase 2 decadas se agora decidem po-lo na mesa alguma razao ha-de haver.

Mas voltando ao Baptista Bastos;temos que admitir que as pessoas nao sao obrigadas a falar publicamente do que ganham ou nao ganham ou do modo como vivem.

Afinal de contas o homem e jornalista mas esta com mais de setenta anos o que quer dizer que na altura em que era mais jovem o jornalismo nao era propriamente a arvore das patacas.

Nao sei nada da vida dele mas que diabo, conheci inumeros jornalistas que nao andavam propriamente a nadar em dinheiro.Para alem disso tanto quanto conheço dos dados biograficos, BB casou cedo e tinha familia, filhos etc.
Assim sendo , acho que talvez seja ir muito longe esta coisa de decidir que por ter tido direito a uma casa concedida pela camara passe desde logo a ser considerado um tipo menos digno.

Para alem disso e pelo que ja li, o numero de pessoas que estao na mesma situaçao e enorme e tem na lista um vasto leque de profissoes.

Assim sendo porque escolher o BB para bater e porque bater apenas no BB??…
Nao quero com isto dizer que nao seja a partida reprovavel que ele homem que sempre disse exigir limpeza nas palavras e acçoes de outros, se tenha mais ou menos aproveitado de amigos em posiçoes influentes, digo apenas que a famigerada listazinha tem muitos mais nomes por la e que seria bom que todos esses nomes viessem a lume.Falar so num deles nem sequer e grande ajuda se o que se pretende e trazer luz seja onde for.Mas isto so eu , e claro, que tenho a mania da precisao e das claridades.....




Baptista-Bastos e o mistério da Estrada da Luz

Há 14 anos a CML atribuiu ao escritor e jornalista Baptista-Bastos um andar em Benfica, na Estrada da Luz, era Jorge Sampaio presidente da autarquia e João Soares vereador da Cultura. “Não há aqui prendas. A casa que alugava há 32 anos em Alfama estava a cair, eu tinha três filhos e não tinha meios. Escrevi à presidência a pedir uma casa”. Garante que a sua situação económica foi avaliada e que foi celebrado um contrato de arrendamento, que se mantém. “Quanto pago é privado”. E conta como sempre fora prática comum a atribuição de casas a jornalistas e artistas. Nos anos 80, foi chamado à CML por Abecassis. “Tinha uma casa para mim. Disse-lhe que não. Quando precisei pedi”. Na altura em que se mudou para Benfica, comprou casa em Constância.

E-EXPRESSO (Assinatura) 27.09.2008


O CASO 'LISBOAGATE' E A CULTURA DA CUNHA

João Miguel Tavares
Jornalista - jmtavares@dn.pt

A cunha tem muito que se lhe diga. Toda a gente está disposta a condená-la e a apontá-la como uma das causas do atraso de Portugal, mas poucos, na prática, passam sem ela. Se Jesus, em vez de frequentar as terras de Israel, tivesse pregado nas margens do Tejo, teria dito à multidão em fúria: "Quem nunca meteu uma cunha que atire a primeira pedra." E aí todos baixariam a cabeça, começando pelos mais velhos, e iriam apedrejar para outra freguesia. É que a cunha não é um acto de corrupção, como enfiar notas na mão de um autarca. É, de forma bem mais cândida, driblar a máquina burocrática, pedir pequenos favores para o primo que é óptimo rapaz, tentar muitas vezes ajudar quem efectivamente precisa ou, como se diz na minha terra, ter um simples "olhamento".

Mas, claro, de cunhas bem-intencionadas está o inferno cheio. Veja-se o caso "Lisboagate". As primeiras notícias divulgadas pelo DN ainda vinham acompanhadas de um halo de santidade. Os abusos na atribuição de casas pela autarquia eram, afinal, justificados pelas melhores razões: do Presidente da República à esposa do primeiro-ministro, todos metiam cunhas e pediam casas, mas sempre a favor do pobrezinho desamparado. A cunha, boa parte das vezes, não beneficia directamente o próprio e é feita com o argumento de reparar uma injustiça. O problema é que, sem a existência de regras claras e justas, passa a haver uma espécie de fotogenia da pobreza: beneficiam aqueles que melhor comoverem os poderosos. Claro que atrás do pobre vem o motorista do Presidente que mora longe, coitado, e atrás do motorista vem a funcionária que se divorciou e não tem para onde ir, e atrás da funcionária vem o filho da funcionária, que também é filho de Deus.

A partir daí, nessa avalanche de cunhas e favores cabe tudo, e tudo se mistura. Quando o caso "Lisboagate" atinge um nome como o de Baptista-Bastos, é porque algo está podre no reino da Dinamarca. Numa breve troca de mails, Baptista-Bastos negou-me ter tido qualquer comportamento "reprovável" e eu não tenho qualquer razão para pôr em causa a sua verticalidade. Mas também não tenho dúvidas de que ele jamais deveria ter recorrido à câmara para conseguir uma casa. O escritor Baptista-Bastos, que já tanto deu a Lisboa, podia ter direito a ser ajudado numa altura de dificuldade, como parece ter sido o caso. O jornalista Baptista-Bastos, não. Porque pediu um favor ao poder autárquico. Porque auferiu de um privilégio vedado ao cidadão comum. Que alguém que sempre foi tão moralmente exigente nos seus artigos de imprensa não perceba isto faz-me confusão. Quem, como ele, acredita na nobreza do jornalismo, tem de reconhecer uma cunha quando a vê. E, sobretudo, deve reconhecê-la quando a mete.

O CASO LISBOAGATE









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casinhas e casaroes






nesta coisa de casinhas
que venha o diabo e escolha;
uns tem rendas baratas
e vivem bem em lisboa

outros arrastam finanças a espera
de melhores dias
ficam na sombra e a chuva
cobertos so por mentiras

senhores tanta e a vergonha
que sinto deste pais
por viver sem condiçoes
ao lado de outros assim

vergonha e tanto lamento
vendo alguns encher os bolsos
passando todo o seu tempo
apertando a mao aos ricos

casinhas e o diabo
quem quer que faça uma escolha
ou passa a vida na merda
ou encontra cunha boa.

pois neste pais as cunhas
sao a unica maneira de se chegar ao poleiro
seja para casas em lisboa
seja para ter mais dinheiro

e enquanto uns pagam e sofrem
na pele e todos os dias chuva e vento
dores e ruinas ha os que vao enchendo os bancos
de contas e alegrias.







( pois, este inquilinotramado e marafado.
as verdades doem na doem?....
pois doem)



Pactos de silêncio




"No Outono de 1989 conduzi na RTP os debates entre os candidatos a Lisboa. O grande confronto foi PS/PSD. Duas candidaturas notáveis. Jorge Sampaio, secretário-geral, elevou a política autárquica em Portugal a um nível de importância sem precedentes ao declarar-se candidato quando os socialistas viviam um dos seus cíclicos períodos de lutas intestinas. O PSD escolheu Marcelo Rebelo de Sousa.



No debate da RTP confrontei-os com a fotocópia de documentos dos arquivos do executivo camarário do CDS de Nuno Abecassis. Um era o acordo entre os promotores de um enorme complexo habitacional na zona da Quinta do Lambert e a Câmara. Estipulava que a Câmara receberia como contrapartida pela cedência dos terrenos um dos prédios com os apartamentos completamento equipados. Era um edifício muito grande, seguramente vinte ou trinta apartamentos, numa zona que aos preços do mercado era (e é) valiosíssima. Outro documento tinha o rol das pessoas a quem a Câmara tinha entregue os apartamentos. Havia advogados, arquitectos, engenheiros, médicos, muitos políticos e jornalistas. Aqui aparecia o nome de personagem proeminente na altura que era chefe de redacção na RTP.



A lista discriminava os montantes irrisórios que pagavam pelo arrendamento dos apartamentos topo de gama na Quinta do Lambert. Confrontados com esta prova de ilicitude, os candidatos às autárquicas de 1989 prometeram, todos, pôr fim ao abuso. O desaparecido semanário Tal e Qual foi o único órgão de comunicação que deu seguimento à notícia. Identificou moradores, fotografou o prédio e referiu outras situações de cedência questionável de património camarário a indivíduos que não configuravam nenhum perfil de carência especial. E durante vinte anos não houve consequência desta denúncia pública.<



O facto de haver jornalistas entre os beneficiários destas dádivas do poder político explica muito do apagamento da notícia nos órgãos de comunicação social, muitos deles na altura colonizados por pessoas cuja primeira credencial era um cartão de filiação partidária. Assim, o bodo aos ricos continuou pelas câmaras de Jorge Sampaio e de João Soares e, pelo que sabemos agora, pelas câmaras de outras forças partidárias. Quem tem estas casas gratuitas (é isso que elas são) é gente poderosa. Há assessores dispersos por várias forças políticas e a vários níveis do Estado, capazes de com uma palavra no momento certo construir ou destruir carreiras. Há jornalistas que com palavras adequadas favoreceram ou omitiram situações de gravidade porque isso era (é) parte da renda cobrada nos apartamentos da Quinta do Lambert e noutros lados. O silêncio foi quebrado agora que os media se multiplicaram e não é possível esconder por mais vinte anos a infâmia das sinecuras. Os prejuízos directos de décadas de venalidade política atingem muitos milhões.



Não se pode aceitar que esta comunidade de pedintes influentes se continue a acoitar no argumento de que habita as fracções de património público "legalmente". Em essência nada distingue os extorsionistas profissionais dos bairros sociais das Quintas da Fonte dos oportunistas políticos que de suplicância em suplicância chegaram às Quintas do Lambert. São a mesma gente. Só moram em quintas diferentes. Por esse país fora."





ah grande mario crespo-e assim memo!

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